Autismo: como apoiar o desenvolvimento da criança
Cada criança autista tem habilidades, interesses e necessidades próprias. Apoiar seu desenvolvimento significa oferecer oportunidades de aprender, se comunicar e participar do cotidiano, respeitando essas diferenças.
Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), intervenções baseadas em evidências podem favorecer a comunicação e a interação social. O cuidado deve considerar as necessidades e preferências de cada pessoa, sem prometer resultados iguais para todos.
O que pode ajudar no desenvolvimento?
1. Buscar apoio individualizado
A avaliação deve identificar tanto as habilidades quanto as necessidades da criança e orientar um plano adequado à sua realidade familiar e escolar. Essa abordagem é recomendada pelo Ministério da Saúde, nas orientações sobre autismo.
2. Usar brincadeiras para favorecer a interação
Estratégias orientadas por profissionais podem envolver brincar junto, compartilhar interesses e alternar turnos, sempre de acordo com o nível de desenvolvimento da criança.
3. Reconhecer a forma como a criança se comunica
Pais, cuidadores e professores podem receber orientação para compreender melhor seus sinais e responder de maneira sensível.
4. Trabalhar em parceria
Família, escola e profissionais podem participar das estratégias de apoio. Quem cuida também precisa de informação, orientação e suporte. A importância da parceria entre família, professores e profissionais de saúde é destacada nas orientações do Ministério da Saúde sobre autismo na Atenção Primária.
Exemplos para o dia a dia
As situações abaixo são exemplos ilustrativos. Adapte as propostas aos interesses, à comunicação e ao conforto da criança, com orientação dos profissionais que a acompanham. Elas não representam um tratamento padronizado nem garantem um resultado específico.
Brincar de construir juntos
Se a criança gosta de blocos, sente-se perto e acompanhe o que ela está construindo. Você pode colocar uma peça e convidá-la a colocar outra: “Agora você?”. Espere a resposta e aceite se ela preferir brincar de outro jeito ou parar. A proposta é compartilhar um momento agradável.
Dar espaço para escolhas
Na hora de brincar, mostre dois brinquedos disponíveis e pergunte: “Você quer a bola ou o carrinho?”. Dê tempo para a resposta e acolha a escolha feita por fala, gesto ou apontar. Se a criança já usa um recurso de comunicação, inclua esse recurso na atividade. Não exija que ela repita uma palavra para receber o brinquedo.
Compartilhar um livro de interesse
Se a criança se interessa por animais, explorem juntos um livro com essas imagens. Comente algo simples, como “O gato está dormindo”, e acompanhe a página ou figura que chamou a atenção dela. Evite transformar cada imagem em uma pergunta de teste.
Levar observações para o atendimento
Leve situações concretas para conversar com a equipe: “Ela aponta para escolher um brinquedo, mas ainda é difícil mostrar quando precisa de ajuda”. Essas observações podem ser discutidas na escolha de objetivos relevantes para o cotidiano.
Combinar estratégias com a escola
Se a criança já utiliza um gesto ou uma figura para pedir ajuda, a família pode mostrar à professora como esse pedido acontece. Com a equipe de apoio, combinem como reconhecer e responder a ele em casa e na escola. Compartilhem também quais atividades despertam interesse e em quais situações ela demonstra desconforto.
O foco é ampliar a autonomia, a participação e a qualidade de vida, com respeito à criança e ao seu jeito de aprender.