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Figuras de linguagem: quais são e exemplos de cada uma

Quem diz que está morrendo de fome não está morrendo. Entenda como as figuras de linguagem criam sentido além do literal e aprenda a reconhecer cada uma.

Interpretação 8 min de leitura Um de 6 guias de Interpretação
Neste guia

Quando alguém diz que está morrendo de fome, ninguém chama a ambulância. Quando diz que o celular morreu, ninguém faz velório. A língua está cheia de expressões que não significam literalmente o que dizem — e isso não é erro nem enfeite: é como a gente cria efeito, humor e imagem com as mesmas palavras de sempre.

Esses recursos têm nome: são as figuras de linguagem.

A dúvida que mais cai em prova

Comparação tem conectivo: “forte como um touro”. Metáfora apresenta a aproximação sem esse conectivo: “é um touro”. Mas a palavra como sozinha não basta: em “como choveu, fiquei em casa”, ela indica causa. Procure a relação de semelhança entre as ideias.

As quatro famílias

Uma classificação escolar comum organiza as figuras em quatro grupos. Saber se o efeito vem do sentido, do som ou da construção da frase ajuda a justificar a interpretação.

Figuras de palavra
Trocam uma palavra por outra: metáfora, comparação, metonímia, catacrese.
Figuras de pensamento
Mexem na ideia, não na palavra: hipérbole, eufemismo, ironia, antítese, paradoxo, personificação.
Figuras de som
Trabalham o barulho das palavras: aliteração, assonância, onomatopeia.
Figuras de sintaxe
Alteram a construção da frase: elipse, pleonasmo, anáfora, hipérbato.

Quinze figuras, uma a uma

Toque em cada nome para ver a definição e um exemplo curto.

Toque em uma figura para ver a definição e o exemplo.

Comparação sem conectivo

Figura de palavra

Chama uma coisa pelo nome de outra, por semelhança, sem usar palavra de comparação. Exemplo: “Meu irmão é um leão.” Ele não é um leão — é corajoso como um.

A semelhança fica explícita

Figura de palavra

Aproxima duas coisas usando um conectivo: como, tal qual, feito, que nem. Exemplo: “Meu irmão é corajoso como um leão.” É o par direto da metáfora — só que com a ponte à mostra.

A parte pelo todo

Figura de palavra

Troca uma palavra por outra que tem relação de proximidade com ela: autor pela obra, marca pelo produto, parte pelo todo. Exemplo: “Li Machado de Assis” — leu os livros dele, não a pessoa.

O uso figurado que se tornou habitual

Figura de palavra

Emprega por extensão uma palavra que se tornou uma designação habitual, muitas vezes por falta de um termo específico. Exemplos: pé da mesa, braço do rio, dente de alho, asa da xícara.

O exagero proposital

Figura de pensamento

Aumenta a intensidade para causar efeito. Exemplo: “Já te falei isso um milhão de vezes.” Quem fala não está contando — está reclamando.

Suavizar o que é duro

Figura de pensamento

Troca uma expressão dura por outra mais branda. Exemplo: “Ele nos deixou” no lugar de “ele morreu”. Seu objetivo é suavizar a expressão; não se trata apenas de diminuir uma quantidade.

Dizer o oposto do que se pensa

Figura de pensamento

Afirma uma coisa querendo dizer justamente a contrária, e conta com o contexto para ser entendida. Exemplo: ao ver a nota baixa, alguém diz “que resultado brilhante”.

Duas ideias opostas lado a lado

Figura de pensamento

Coloca contrários na mesma frase para marcar o contraste. Exemplo: “É um mar de rosas e de espinhos.” As duas ideias se opõem, mas ambas fazem sentido.

A contradição que se sustenta

Figura de pensamento

Vai além da antítese: as ideias opostas se juntam na mesma coisa, criando algo aparentemente impossível. Exemplo: “O silêncio era ensurdecedor.”

Dar vida ao que não tem

Figura de pensamento

Também chamada de prosopopeia, atribui ações ou sentimentos humanos a seres inanimados, animais ou ideias. Exemplo: “A casa suspirava de saudade.”

Consoante que se repete

Figura de som

Repete o mesmo som consonantal em palavras próximas, criando ritmo. Exemplo: “O rato roeu a roupa do rei de Roma.”

Vogal que se repete

Figura de som

A repetição é de sons de vogais. Exemplo: “Sou um mundo mudo e surdo.” Muito usada em poesia e em letras de música.

A palavra que imita o barulho

Figura de som

Reproduz um som com letras. Exemplos: tic-tac, miau, zum-zum, splash. É a figura que mais aparece em histórias em quadrinhos.

O que some mas se entende

Figura de sintaxe

Omite um termo que o leitor consegue recuperar sozinho. Exemplo: “Na sala, apenas dois alunos.” Sumiu o verbo haver, e ninguém sente falta.

A repetição que reforça

Figura de sintaxe

Repete uma ideia de propósito, para dar ênfase. Exemplo: “Vi com meus próprios olhos.” Quando a repetição é acidental e não acrescenta nada, vira vício de linguagem: “subir para cima”.

Onde elas aparecem fora da prova

Em todo lugar. O nome de uma promoção (“preço que derrete”) é metáfora; a manchete que diz que “o Brasil venceu” é metonímia; o “tic-tac” que imita o relógio é onomatopeia; e o funcionário que responde “claro, adoro trabalhar no domingo” está fazendo ironia. Reconhecer a figura é, na prática, entender a intenção de quem escreveu — que é do que trata o guia de interpretação de texto.

Metáfora ou metonímia? O truque para não errar

Pergunte-se qual é a relação entre as duas palavras. Se for semelhança — uma coisa parece a outra —, é metáfora: “aquele menino é um foguete” (ele é rápido como um). Se for proximidade — uma coisa pertence, produz ou contém a outra —, é metonímia: “bebi uma taça” (bebi o conteúdo), “comprei um Ford” (a marca pelo carro). Semelhança puxa metáfora; vizinhança puxa metonímia. E para entender por que a mesma palavra muda de sentido conforme a frase, veja denotação e conotação.

Teste o que você aprendeu

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Escolha uma resposta e veja na hora se acertou. É para aprender — sem pressão.

  1. 1. Em qual frase “como” estabelece uma comparação figurada?

    Por quê: A frase aproxima a rapidez da notícia à propagação do fogo. Nas outras, “como” indica causa, conformidade ou modo: sua presença sozinha não cria uma comparação.

  2. 2. Em “Já te falei isso um milhão de vezes”, qual figura aparece?

    Por quê: É hipérbole: um exagero proposital, que serve para enfatizar a irritação de quem fala, não para informar uma quantidade.

  3. 3. Em “Li Machado de Assis inteiro nas férias”, o que aconteceu?

    Por quê: A metonímia troca uma palavra por outra próxima. Aqui, o nome do autor substitui os livros que ele escreveu.

  4. 4. Em “O silêncio era ensurdecedor”, qual figura foi usada?

    Por quê: É paradoxo: silêncio e ensurdecedor se contradizem, mas juntos criam um sentido novo — o de um silêncio pesado demais.

  5. 5. Qual destas expressões é uma catacrese?

    Por quê: O nome “pé” passou a designar habitualmente o apoio da mesa. Esse uso por extensão, já incorporado ao vocabulário, é um exemplo de catacrese.

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Perguntas frequentes

O que são figuras de linguagem?
São recursos de sentido, som e construção da frase que criam imagem, ênfase, ritmo, humor ou emoção. Não são enfeite de poesia: aparecem em propaganda, manchete, apelido e conversa de todo dia.
Qual é a diferença entre metáfora e comparação?
A comparação traz um conectivo explícito — como, tal qual, feito: “corajoso como um leão”. A metáfora dispensa o conectivo e afirma direto: “é um leão”. É preciso haver uma relação de semelhança: “como” também pode indicar causa ou conformidade.
Quais são os tipos de figuras de linguagem?
São quatro famílias: figuras de palavra (metáfora, comparação, metonímia, catacrese), de pensamento (hipérbole, eufemismo, ironia, antítese, paradoxo, personificação), de som (aliteração, assonância, onomatopeia) e de sintaxe (elipse, pleonasmo, anáfora, hipérbato).
O que é prosopopeia?
É o outro nome da personificação: atribuir ações ou sentimentos humanos a seres inanimados, animais ou ideias, como em “a casa suspirava de saudade”.
Como diferenciar metáfora de metonímia?
Olhe a relação entre as palavras. Se for semelhança, é metáfora: “aquele menino é um foguete”. Se for proximidade — o autor pela obra, a marca pelo produto, o continente pelo conteúdo —, é metonímia: “li Machado de Assis”.