Aura das Palavras
Aprenda palavras novas em ondas curtas e veja sua aura crescer a cada semana.
Conhecer o jogoQuem diz que está morrendo de fome não está morrendo. Entenda como as figuras de linguagem criam sentido além do literal e aprenda a reconhecer cada uma.
Quando alguém diz que está morrendo de fome, ninguém chama a ambulância. Quando diz que o celular morreu, ninguém faz velório. A língua está cheia de expressões que não significam literalmente o que dizem — e isso não é erro nem enfeite: é como a gente cria efeito, humor e imagem com as mesmas palavras de sempre.
Esses recursos têm nome: são as figuras de linguagem.
A dúvida que mais cai em prova
Comparação tem conectivo: “forte como um touro”. Metáfora apresenta a aproximação sem esse conectivo: “é um touro”. Mas a palavra como sozinha não basta: em “como choveu, fiquei em casa”, ela indica causa. Procure a relação de semelhança entre as ideias.
Uma classificação escolar comum organiza as figuras em quatro grupos. Saber se o efeito vem do sentido, do som ou da construção da frase ajuda a justificar a interpretação.
Toque em cada nome para ver a definição e um exemplo curto.
Comparação sem conectivo
Figura de palavra
Chama uma coisa pelo nome de outra, por semelhança, sem usar palavra de comparação. Exemplo: “Meu irmão é um leão.” Ele não é um leão — é corajoso como um.
A semelhança fica explícita
Figura de palavra
Aproxima duas coisas usando um conectivo: como, tal qual, feito, que nem. Exemplo: “Meu irmão é corajoso como um leão.” É o par direto da metáfora — só que com a ponte à mostra.
A parte pelo todo
Figura de palavra
Troca uma palavra por outra que tem relação de proximidade com ela: autor pela obra, marca pelo produto, parte pelo todo. Exemplo: “Li Machado de Assis” — leu os livros dele, não a pessoa.
O uso figurado que se tornou habitual
Figura de palavra
Emprega por extensão uma palavra que se tornou uma designação habitual, muitas vezes por falta de um termo específico. Exemplos: pé da mesa, braço do rio, dente de alho, asa da xícara.
O exagero proposital
Figura de pensamento
Aumenta a intensidade para causar efeito. Exemplo: “Já te falei isso um milhão de vezes.” Quem fala não está contando — está reclamando.
Suavizar o que é duro
Figura de pensamento
Troca uma expressão dura por outra mais branda. Exemplo: “Ele nos deixou” no lugar de “ele morreu”. Seu objetivo é suavizar a expressão; não se trata apenas de diminuir uma quantidade.
Dizer o oposto do que se pensa
Figura de pensamento
Afirma uma coisa querendo dizer justamente a contrária, e conta com o contexto para ser entendida. Exemplo: ao ver a nota baixa, alguém diz “que resultado brilhante”.
Duas ideias opostas lado a lado
Figura de pensamento
Coloca contrários na mesma frase para marcar o contraste. Exemplo: “É um mar de rosas e de espinhos.” As duas ideias se opõem, mas ambas fazem sentido.
A contradição que se sustenta
Figura de pensamento
Vai além da antítese: as ideias opostas se juntam na mesma coisa, criando algo aparentemente impossível. Exemplo: “O silêncio era ensurdecedor.”
Dar vida ao que não tem
Figura de pensamento
Também chamada de prosopopeia, atribui ações ou sentimentos humanos a seres inanimados, animais ou ideias. Exemplo: “A casa suspirava de saudade.”
Consoante que se repete
Figura de som
Repete o mesmo som consonantal em palavras próximas, criando ritmo. Exemplo: “O rato roeu a roupa do rei de Roma.”
Vogal que se repete
Figura de som
A repetição é de sons de vogais. Exemplo: “Sou um mundo mudo e surdo.” Muito usada em poesia e em letras de música.
A palavra que imita o barulho
Figura de som
Reproduz um som com letras. Exemplos: tic-tac, miau, zum-zum, splash. É a figura que mais aparece em histórias em quadrinhos.
O que some mas se entende
Figura de sintaxe
Omite um termo que o leitor consegue recuperar sozinho. Exemplo: “Na sala, apenas dois alunos.” Sumiu o verbo haver, e ninguém sente falta.
A repetição que reforça
Figura de sintaxe
Repete uma ideia de propósito, para dar ênfase. Exemplo: “Vi com meus próprios olhos.” Quando a repetição é acidental e não acrescenta nada, vira vício de linguagem: “subir para cima”.
Em todo lugar. O nome de uma promoção (“preço que derrete”) é metáfora; a manchete que diz que “o Brasil venceu” é metonímia; o “tic-tac” que imita o relógio é onomatopeia; e o funcionário que responde “claro, adoro trabalhar no domingo” está fazendo ironia. Reconhecer a figura é, na prática, entender a intenção de quem escreveu — que é do que trata o guia de interpretação de texto.
Pergunte-se qual é a relação entre as duas palavras. Se for semelhança — uma coisa parece a outra —, é metáfora: “aquele menino é um foguete” (ele é rápido como um). Se for proximidade — uma coisa pertence, produz ou contém a outra —, é metonímia: “bebi uma taça” (bebi o conteúdo), “comprei um Ford” (a marca pelo carro). Semelhança puxa metáfora; vizinhança puxa metonímia. E para entender por que a mesma palavra muda de sentido conforme a frase, veja denotação e conotação.
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Escolha uma resposta e veja na hora se acertou. É para aprender — sem pressão.
1. Em qual frase “como” estabelece uma comparação figurada?
Por quê: A frase aproxima a rapidez da notícia à propagação do fogo. Nas outras, “como” indica causa, conformidade ou modo: sua presença sozinha não cria uma comparação.
2. Em “Já te falei isso um milhão de vezes”, qual figura aparece?
Por quê: É hipérbole: um exagero proposital, que serve para enfatizar a irritação de quem fala, não para informar uma quantidade.
3. Em “Li Machado de Assis inteiro nas férias”, o que aconteceu?
Por quê: A metonímia troca uma palavra por outra próxima. Aqui, o nome do autor substitui os livros que ele escreveu.
4. Em “O silêncio era ensurdecedor”, qual figura foi usada?
Por quê: É paradoxo: silêncio e ensurdecedor se contradizem, mas juntos criam um sentido novo — o de um silêncio pesado demais.
5. Qual destas expressões é uma catacrese?
Por quê: O nome “pé” passou a designar habitualmente o apoio da mesa. Esse uso por extensão, já incorporado ao vocabulário, é um exemplo de catacrese.
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