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O que é Libras: a língua da comunidade surda do Brasil

Libras é a Língua Brasileira de Sinais, com gramática própria feita de mãos, rosto e espaço. Descubra o que ela é, o que não é e como começar uma conversa com uma pessoa surda.

Libras 7 min de leitura
Neste guia
Como usar este material

Glosas usam palavras do português para anotar sinais, sem registrar todos os movimentos, o espaço e as expressões. São diferentes da escrita de sinais, como o SignWriting.

O avatar do VLibras é um apoio automático: pode mostrar variantes e não reproduz toda a gramática. Não substitui docentes nem intérpretes. Compare os sinais com vídeos de sinalizantes fluentes e pratique com pessoas surdas ou docentes de Libras.

Referências: escrita de sinais (UFSC) · estrutura da Libras (UFSC) · Libras básico (IFSC, PDF) · VLibras.

Libras é a sigla de Língua Brasileira de Sinais, a língua da comunidade surda do Brasil. Ela é visual e espacial: em vez de som, usa as mãos, o rosto, o corpo e o espaço em volta de quem sinaliza. E é uma língua completa, com vocabulário, gramática e variação regional, como o português.

Antes do primeiro sinal, vale tirar do caminho quatro ideias erradas que atrapalham quem começa — e aprender como se aproximar de uma pessoa surda sem constrangimento.

Mito ou fato?

Leia cada frase e decida. A explicação aparece assim que você escolhe.

  1. 1. A Libras é a mesma língua de sinais no mundo inteiro.

    Mito. Existem diversas línguas de sinais, como Libras, ASL, LGP e LSF. As fronteiras das línguas não coincidem necessariamente com as dos países: Um país pode ter mais de uma língua de sinais, e uma língua pode ser usada em vários países.

  2. 2. A Libras é mímica: dá para entender só olhando.

    Mito. Alguns sinais lembram a coisa que nomeiam, mas a maioria é convenção, como as palavras do português. Quem não estudou Libras não entende uma conversa em Libras.

  3. 3. A Libras é o português feito com as mãos.

    Mito. A Libras tem gramática própria: a ordem das palavras, a negação e as perguntas funcionam de outro jeito. Sinalizar palavra por palavra uma frase em português não é falar Libras.

  4. 4. Toda pessoa surda é muda.

    Mito. Surdez não é mudez: a perda auditiva, por si só, não impede a produção de voz. Muitas pessoas surdas usam a fala, outras preferem sinalizar, e nem todas usam Libras. Por isso "surdo-mudo" é considerado errado e pejorativo — o certo é "surdo".

  5. 5. A Libras é reconhecida por lei no Brasil.

    Fato. A Lei 10.436, de 2002, reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão da comunidade surda brasileira, e o Decreto 5.626, de 2005, a regulamenta.

  6. 6. Em Libras, o rosto também faz parte da gramática.

    Fato. A expressão facial muda o sentido: as mesmas mãos viram pergunta, negação ou intensidade pelo movimento das sobrancelhas, da boca e da cabeça.

Uma língua reconhecida por lei

A Lei 10.436, de 24 de abril de 2002, reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão das pessoas surdas no Brasil, e o Decreto 5.626, de 2005, levou o ensino de Libras para os cursos que formam professores e fonoaudiólogos. Por isso 24 de abril é o Dia Nacional da Libras (Lei 13.055, de 2014). A Lei 10.436 determina que a Libras não substitui a modalidade escrita da língua portuguesa; isso não significa que todas as pessoas surdas tenham a mesma experiência com essas línguas.

De onde a Libras veio

Em 1857, no Rio de Janeiro, foi fundada a primeira escola para surdos do país, hoje o INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos). Quem trouxe a ideia foi E. Huet, um professor surdo francês, com apoio do imperador Dom Pedro II. Os sinais franceses que ele usava se misturaram aos sinais que os surdos brasileiros já criavam, e essa convivência contribuiu para a formação e a difusão da Libras. Sua história envolve também as comunidades surdas brasileiras; ela não foi criada por uma única pessoa.

A escola foi fundada em 26 de setembro de 1857, data que virou o Dia Nacional dos Surdos (Lei 11.796, de 2008) — daí o Setembro Azul.

Como chamar a atenção de uma pessoa surda

Numa língua visual, a conversa começa com um olhar. Toque em cada forma para saber quando ela funciona.

Toque numa forma de chamar a atenção.

Um toque leve no ombro ou no braço

É o jeito mais comum quando a pessoa está de costas ou distraída. Toque de leve, uma ou duas vezes, no ombro ou no braço — nunca no rosto ou na cabeça.

Um aceno dentro do campo de visão

Se a pessoa está um pouco longe mas pode ver você, acene com a mão aberta onde ela consiga enxergar. Balançar a mão bem na frente do rosto dela é invasivo.

Acender e apagar a luz

Para chamar um grupo inteiro numa sala, piscar a luz uma ou duas vezes é um costume comum entre pessoas surdas. Use com moderação, e só quando o lugar permitir.

Bater de leve na mesa ou no chão

Uma batida firme na mesa ou um pisão no chão de madeira faz vibrar a superfície, e a pessoa sente. Funciona bem em volta de uma mesa.

Gritar ou chamar pelo nome

Não conte com o som para chamar a atenção: a percepção auditiva varia entre as pessoas surdas. Prefira um recurso visual ou um toque leve, respeitando a preferência dela. Também evite segurar o braço com força ou puxar a pessoa.

O olhar é o ouvido

Durante uma conversa em Libras, mantenha o olhar no rosto da pessoa, não nas mãos: os sinais você enxerga com a visão periférica, e o rosto e o corpo trazem informações gramaticais importantes. Desviar os olhos equivale a parar de escutar. E se precisar passar entre duas pessoas sinalizando, passe — rápido e sem se abaixar; esperar parado na frente é que atrapalha.

Surdo, deficiente auditivo ou surdo-mudo?

Surdo é como a comunidade se nomeia, com orgulho: é uma identidade cultural e linguística, não só uma condição médica. Deficiente auditivo aparece em leis e laudos e é usado por muitas pessoas com perda auditiva que não se identificam com a comunidade surda. Surdo-mudo é errado: surdez e mudez são condições diferentes. Respeite a preferência da pessoa ao se referir a ela. E quem ouve é chamado de ouvinte.

Outras regras de boa convivência: fale de frente, sem tapar a boca (nem todo surdo faz leitura labial, mas muitos usam como apoio); pergunte qual forma de comunicação a pessoa prefere e, se ambos conhecerem o alfabeto manual, soletre uma palavra quando necessário; e não invente sinais novos — quem cria sinais é a comunidade surda.

Próximo passo

Agora que você sabe o que a Libras é, conheça as cinco partes de que todo sinal é feito em os 5 parâmetros de um sinal — e depois soletre o seu nome no alfabeto manual.

Teste o que você aprendeu

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Escolha uma resposta e veja na hora se acertou. É para aprender — sem pressão.

  1. 1. Uma pessoa surda está de costas, lendo, a dois passos de você. Qual é a forma adequada de chamar a atenção dela?

    Por quê: Um toque leve no ombro ou no braço é o jeito comum e respeitoso. Não pressuponha que a pessoa percebe sua voz: a audição varia. Evite tocar o rosto ou agarrar a pessoa.

  2. 2. Um colega diz: "Libras é fácil, é só fazer o português com as mãos". O que está errado nessa frase?

    Por quê: Ordem das palavras, negação e perguntas seguem regras próprias da Libras. Sinalizar o português palavra por palavra tem até nome: português sinalizado.

  3. 3. Uma brasileira surda viaja para Lisboa e conhece um surdo português. O mais provável é que…

    Por quê: Portugal usa a Língua Gestual Portuguesa (LGP), diferente da Libras. Como ouvintes de línguas diferentes, eles se comunicam com esforço — gestos, escrita, adaptação —, mas não falam a mesma língua.

  4. 4. Qual termo é o mais adequado para se referir a uma pessoa que não ouve e se comunica em Libras?

    Por quê: "Surdo" é como a própria comunidade se nomeia. "Surdo-mudo" associa indevidamente surdez a mudez. Respeite também a maneira como a própria pessoa prefere ser chamada.

  5. 5. Você está conversando em Libras e olha para o celular no meio da frase da outra pessoa. Para ela, isso equivale a…

    Por quê: Em uma língua visual, o olhar é o ouvido. Desviar os olhos interrompe a conversa, como tapar os ouvidos numa conversa falada.

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Perguntas frequentes

Libras é a mesma língua de sinais do mundo inteiro?
Não. Há diversas línguas de sinais, e suas fronteiras não coincidem necessariamente com as dos países. A Libras tem influência da língua de sinais francesa e das comunidades surdas brasileiras.
Qual lei reconhece a Libras?
A Lei 10.436, de 24 de abril de 2002, reconhece a Libras como meio legal de comunicação e expressão da comunidade surda. O Decreto 5.626, de 2005, regulamenta a lei e põe a disciplina de Libras nos cursos de formação de professores.
Dá para aprender Libras sozinho pela internet?
Dá para começar: entender como a língua funciona, aprender o alfabeto manual e os primeiros sinais. Mas a fluência vem de conversar com pessoas surdas — procure associações de surdos, cursos presenciais e eventos da comunidade na sua cidade.